sábado, 28 de fevereiro de 2009

Desculpas

Peco desculpas a todos pela ausência nas últimas semanas. Nao, eu nao abandonei o blog nem deixei de ter vontade de escrever. Mas forcas superiores me obrigaram a isso. Está tudo bem comigo e espero que em breve eu possa voltar a escrever com freqüência e contar com detalhes o que aconteceu... Agora ja postei sobre o carnaval e acho que vai ficar mais facil de atualizar... Ainda nao leu nada sobre o carnaval??? E so olhar ai embaixo! Por causa dessa confusao das datas essas desculpas vao continuar aqui em cima. Quando eu postar sobre as outras noticias, mando um e-mail avisando. Reparei que ninguém mais visita um blog se ele fica muito tempo abandonado :-( Mas espero nao ter perdido meus leitores de vez.



Grande abraco a todos,

Carol

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(Bem, era pra ser uma seta, foi o melhor que consegui fazer...)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Neve ou confete???

(Tinha tanto tempo que nao entrava aqui que eu nao lembrava, mas ja tinha um post praticamente pronto sobre o carnaval... Entao resolvi fazer uma edicao rapida e posta-lo aqui antes das noticias realmente serias e importantes, que ainda tenho que escrever. Vou colocar fotos e videos assim que lembrar de pegar o usb da camera, alem das tais noticias sobre as quais estou fazendo tanto misterio que vao ter que ser muito bem escritas pra voces nao fazerem aquela cara de "Ah, era so isso?". Entao, meu caro leitor, continue visitando que em breve tera coisas mais emocionantes para ler.)


Bom, depois que a familia toda foi esquiar na Autria e me abandonou aqui, nessa casa branca e fria, sem poder curtir um lugar muito mais branco e muito mais frio, o que eu poderia fazer a nao ser aproveitar minhas semi-ferias? Quem me conhece sabe que eu sou completamente louca por carnaval, a ponto de saber de cor todos os sambas enredo do ano, antes de eles serem divulgados, de pular até cair e gritar até perder a voz atrás de todos os trios elétricos que eu conseguir acompanhar, de desfilar todo ano, nem que seja no Unidos do Bairro Pompéia, de beber toooodas com direito até a um churrasquinho pra acompanhar. Nao é? É claro que nao. Acho que eu teria que nascer de novo, umas três vezes no mínimo só pra entender qual é a graca de um monte de gente bêbada e suada pulando e gritando e se agarrando ao som de uma coisa que costumam chamar de música, bebendo até nao conseguir se lembrar de quantos já pegou (o que certamente é muito mais grave do que esquecer onde mora). Mas enfim, provavelmente vocês como bons brasileiros que sao certamente gostam disso e se eu continuar a falar mal dessa festa maravilhosa, vou acabar sendo abandonada ate pela minha familia no Brasil (o que na verdade sempre acontece nessa epoca, quando eles vao pra Sabara ou pra Diamantina ou qualquer coisa desse nivel... ou eu posso fugir de casa tambem, como e o caso agora) Na verdade a única coisa que o carnaval traz de bom pra mim é o feriado. Normalmente nao adianta muito na faculdade, porque ainda estou de férias nessa época, mas para o trabalho é sempre bom. E aqui na Alemanha, e alguns vao morrer de inveja disso, as escolas têm dez dias de férias no carnaval. O que significa que os pais aproveitam a época pra viajar com os pimpolhos, como é o caso dessa família. Enquanto isso, eu fiquei em casa bebendo todo o estoque de suco de maca (nao, nao é aquela coisa de transportar doentes, mas aquela fruta que a branca de neve mordeu e que nos teclados de gente se escreve com c cedilha e til (e é claro que é mais fácil esclarecer isso com parênteses do que digitar o código para que essas letras aparecam)), fazendo todos os esportes que meu corpo conseguiu suportar, incluindo cama elástica (o que me rendeu uma bela dor nas costas que até hoje faz o favor de me lembrar que eu afinal de contas nao devia ter pulado tanto no carnaval) e o que é mais impressionante, assistindo o desfile da Gavioes de Heidelberg.


Aqui nao é uma cidade com tradicao de carnaval como Colônia, por exemplo, pra onde vao pessoas do mundo todo e que é descrito como sendo o melhor carnaval da vida de alguns brasileiros, inclusive. Nao sei se voces sabem, mas era pra Colonia o meu projeto inicial de intercâmbio e é onde mora a primeira alema que conheci, na época em que eu mal sabia falar Hallo e Guten Tag. Mas digamos que passar o carnaval com a Maike seria um tanto quanto... exotico demais. Entao resolvi conhecer mais da cultura de Heidelberg e fui ver o desfile da cidade.


Vocês que estao no Brasil, estao acostumados a ver as pessoas fantasiadas no carnaval tentando colocar (ou nao colocar) o mínimo de roupa possível nos mais diversos tipos de fantasia: índio, havaiana, colegial e por aí vai. Digamos que aqui as pessoas também se fantasiam. Ou pelo menos pintam o rosto e até as pessoas mais velhas saem na rua com o rosto pintado, mesmo que pareca pintado pelo netinho (o que provavelmente foi). Alguns colocam máscaras, uma peruca ou um chapéu engracado e pronto! Estao fantasiados. Mas tem os corajosos, que se fantasiam por exemplo de havaianas! Pois é, aqui também tem havaianas. Você deve estar agora imaginando como uma pessoa vestida com uma sainha de palha e um bustiê pode suportar esse inverno de no máximo 6°. Acontece que as havaianas alemas sao mais modernas e conseguem se adaptar a tudo. Entao se está frio e eu quero ser havaiana, o que vou fazer? Me resignar com meu destino e morrer congelada na praca? Nao, meu caro leitor ingênuo. Se eu vou ser havaiana, mas estou na Alemanha, tenho que primeiro me fantasiar de alema! Ou seja, bota, calca, casaco, cachecol e gorro, de preferencia tudo preto. Depois é só colocar um colar de flores por cima do casaco e uma saia por cima da calca. E voila! Uma havaiana perfeita. E se você quiser ser bailarina, borboleta ou qualquer outra coisa que sua imaginacao permitir, nao tem problema! É só repetir o mesmo processo e você tem uma fantasia perfeita totalmente adaptada às condicoes climáticas. Talvez seja por isso que o Brasil tenha tanta tradicao em carnaval. Se nessa época fosse inverno no Brasil (e um inverno de verdade, nao esses que quando faz 15° todo mundo acha que o mundo vai acabar), nao iria dar certo. Por mais que o povo brasileiro seja caloroso e tudo mais, você consegue imaginar uma rainha de bateria sambando com bota, casaco e cachecol?


Bom, aqui nao tem rainha de bateria. Tambem nao tem exatamente o que da pra chamar de bateria. Mas tem carros grandes e enfeitados, que a gente ae poderia chamar de carro alegorico - ou trio eletrico, nao tenho muita certeza - onde ficam pessoas fantasiadas distribuindo - leia-se jogando - coisas dos mais diversos tipos na populacao euforica la embaixo. Na maioria sao doces e normalmente sao as criancas que pegam ou os pais que pegam pras criancas - mas e claro que eu peguei tambem - e tem outras coisas, como pao, flores, bolsas, brinquedos, garrafas de bebida, comida e tudo o mais que a imaginacao permitir... A música não e samba. Nem axé ou qualquer coisa assim. Na verdade nao sei definir bem o que eh. E como cada carro toca uma musica diferente, acaba sendo um pouco dificil de lembrar delas depois. 


Achei o carnaval bem legal, de maneira geral. Até iria de novo, nem que fosse pra ganhar doce de graça. Provavelmente, meus leitores como bons brasileros nao vao concordar e dizer que preferem um bando de gente suada e fedendo a cachaca. Mas eu posso ate dizer que foi o melhor carnaval da minha vida, porque afinal de contas o desfile das Piranhas do Morro, em Sabará não é lá muita base de comparação.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sambando na batata

Claro que todos pensaram, pelo menos eu imagino isso, porque eu também pensei, que, indo pra Alemanha e tendo contato com essa cultura tao diferente, com as pessoas tao frias e distantes, com essa lingua esquisita que parece que as pessoas nao conversam, mas brigam, eu teria oportunidade de aprender muita coisa. Primeiro o alemao, que era meu objetivo, mas tambem poderia aprender a esquiar e patinar no gelo, a fazer chucrute e poderia até aprender uma daquelas musicas ou dancas tipicas alemas, com as pessoas vestidas de camponeses, conhecem? Pois é. Era o que eu pensava. Mas depois que eu descobri que minha oportunidade de esquiar foi por água (ou montanha) abaixo,  que o chucrute é sempre servido com carne e que nao ha uma radio sequer que toque musicas alemas, muito menos típicas, quis o destino, que é ironico por natureza, que eu aprendesse justamente a sambar.


Meu amigo leitor deve estar intrigado nesse momento: Mas porque é que essa menina foi sair do Brasil se ela queria era aprender a sambar? Eu poderia responder que tinha vontade de saber a visao germanica dessa danca brasileira, criando a partir disso um paralelo entre essas culturas tao diferentes. Poderia dizer que eu queria analisar o vocabulario utilizado nas aulas de danca em um contexto deslocado do idioma de origem ou que o movimento da danca conduz a uma percepcao mais ampla da relacao entre as pessoas e serve como elo de ligacao dos individuos. Bom, talvez eu use alguma dessas teorias pra minha monografia (que ainda nao tem tema definido) mas o fato é que eu realmente gosto de dancar. E quis o destino, o mesmo que fez com que eu parasse de dancar ha mais de um ano, que eu retomasse as aulas justamente aqui, na terra da batata. E como ele além de irônico é exigente, quis que eu nao so aprendesse o samba, brasileiro por excelencia, mas todos os tipos de dancas latinas existentes e possiveis que coubessem num curso de ferias da faculdade de esporte de Heidelberg. Entao, alem de samba estou tambem aprendendo salsa, merengue, cumbia, rumba, tchatchatcha, jive e algo que eu posso jurar que é bolero. O mais ironico é que eu poderia também fazer capoeira, mas resolvi que uma dose tao grande de Brasil poderia me fazer voltar mais cedo pra casa (ou ficar aqui mais tempo) entao achei que era melhor nao arriscar.


E o destino tao piadista, ao mesmo tempo que me presenteou com uma professora latina que fala um alemao enrolado, às vezes misturando um pouco de espanhol no meio e que tem no seu CD uma única musica de salsa, que nos temos que dancar pelo menos umas cinco vezes na aula e que apaixonou por mim desde que eu falei que era brasileira e que desde entao sempre que quer mostrar qualquer passo para a turma me tira pra dancar e como ela tem mais ou menos a metade do meu tamanho, isso acaba sendo um tanto desastroso, também me presenteou com um professor que parece ter saido do corpo de baile do bale Bolshoi, alemaosissimo, e que quer colocar toda a tecnica do movimento que ele certamente aprendeu no Bolshoi num simples passo de danca latina. E, como nao podia ser diferente, o gozador do destino determinou que esse professor me ensinasse a dancar samba. So que nao é esse samba que a gente ve nos desfiles de carnaval. Mas tambem nao é o samba que se aprende nas dancas de salao. O que é isso, entao, meu Deus? É um movimento que voce tem que fazer com as pernas, flexionando muito os joelhos, e ao mesmo tempo movimentar a barriga pra frente e pra tras. A parte da barriga deve ser o que ele chama de rebolado. Só que o movimento que ele faz - juro - é mais exagerado do que o de qualquer rainha de bateria! Agora imagine voce, meu caro leitor, um homem magro, alto, branquelo, com uma postura de bailarino, que faz a gente pensar que ele vai sair dando piruetas no meio da sala a qualquer momento, de repente se postar no meio da sala e comecar a jogar as pernas pra tras e pro lado, mexendo a barriga pra frente ao som de uma musica que tambem nao é samba, mas uma mistura de merengue com lambada... Parece ou nao parece uma minhoca com dor de barriga em cima de uma batata quente? Agora continue imaginando essa mesma minhoca e visualize toda uma turma de 30 alunos tentando copiar exatamente o mesmo movimento que o professor faz, sendo que mais ou menos metade das minhocas, digo, dos alunos nunca tinha dancado antes, e a outra metade, também saída do Bolshoi, aplica toda a técnica de danca (clássica, é claro) naquele gingado complicadísimo, tendo direito até a mao de bailarina, o que coloca as minhocas novatas numa posicao muito superior. E imagine agora que isso tudo é só o ensaio e que duas dessas minhocas (uma novata, outra do Bolshoi) vao se unir e se remexer juntas ao som de uma musica que fica repetindo bunda-bunda-bunda ou loca-loca-loca. Pobres alunos... Pensam que estao sambando! Pior, eles devem pensar que a musica é realmente samba e que bunda é um verbo que significa dancar! Imagine agora 30 minhocas abracadas aparentemente tendo convulsoes cantarolando bunda-loca! Um brasileiro poderia associar isso a macumba, exorcismo, um ritual pré-cópula, um passo novo do Calypso, ou qualquer outra coisa. Mas a imaginacao nao iria tao longe a ponto de associar isso com samba.


Voces devem estar se perguntando que tipo de minhoca eu sou. Como é que reage uma minhoca brasileira num ambiente tao hostil? Bem, como ex-primeiro bailarino do Bolshoi, o professor se acha totalmente habilitado para ensinar samba - nada mais justo - entao, acho que ele nao encararia com bons olhos uma humilde brasileira recém chegada na Alemanha e que nem danca tao bem assim comecar a dar pitaco na danca que ele conhece tao bem (apesar de que eu já tive um forte impulso de gravar um cd com musicas de samba pra ele - e outro de salsa pra professora latina - e levar pra aula digamos, pra ele conhecer melhor a cultura brasileira). É claro que ele entende mais de samba do que eu. Entao o que aconteceu é que eu tive que me adaptar a essa situacao, como todo bom brasileiro faria. E digamos que eu também tenho convulsoes na aula, mas acho que nao é tanto pela danca. Afinal, em uma cena bizarra como essa, só a tentativa de segurar o riso já é um rebolado suficiente.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Portugeutsch

Uma das coisas que eu deveria ter falado no início do blog e nao falei (pelo menos acho que não) é que a Erika é brasileira. Isso foi muito bom na época da negociacao, porque algumas vezes a língua foi um empecilho pra mim (tá bom, uma vez só. Mas acho que foi mais nervosismo e timidez que me fizeram engasgar tanto no telefone quando a familia me ligou, a ponto de eles pensarem que eu devia sofrer de um sério problema mental e por isso nao conseguia articular as palavras e decidiram que deveria ser muito arriscado entregar o precioso bebê deles aos cuidados de uma pessoa que nao sabia responder sem pestanejar o que ela faria se o bebê comecasse a gritar, gritar e gritar sem parar - chamava os bombeiros? Fingia que nao ouvia? Jogava pela janela? Me jogava pela janela? Ou todas as opcoes anteriores nao necessariamente nessa ordem?). Outras vezes, em negociacao com outras familias, a alimentacao foi um problema. A mae disse: Acho que meus filhos nao vao conseguir entender o fato de voce comer uma comida diferente da deles... (é, eles deviam ser mesmo muito inteligentes). E a Erika entao conseguia resolver em um pacote só esses dois problemas, já que ela é brasileira e foi vegetariana por muito tempo (prometo que depois escrevo um post só pra alimentacao). Na verdade eu tive contato com muito poucas familias, porque eu só fui descobrir as ferramentas mais úteis na vida de uma au-pair sem agência (como a comunidade no orkut e o site au-pair world) depois de já ter fechado negócio com a Erika. É muito provável que se eu tivesse conhecido essas ferramentas antes, as coisas teriam sido bem diferentes. Destino? Mas o fato é que a Erika parecia ser no momento uma solucao para os meus problemas e realmente foi. Só que depois, com o tempo fui descobrindo alguns problemas que existem quando a sua gast fala português:
1 - Você nao vai falar alemao o tempo todo, o que significa aprender menos. No meu caso as criancas e o marido falam alemao, mas ha familias em que todos falam portugues;
2 - Você só vai falar em português com a gast e normalmente vai ser ela quem vai conversar com voce as coisas mais sérias e por isso mais longas, com mais palavras novas e que seria uma ótima oportunidade de aprender se fosse em alemao. Você nao vai um belo dia passar a falar alemao com sua gast, como eu pensei que pudesse acontecer. Agora já estou encarando a realidade;
3 - Algumas vezes, como é o meu caso, a gast vai querer que você fale português com as criancas e já aconteceu comigo de eu perguntar como se fala algo em alemao pra falar com as meninas e ela falar:
- Fala em português!
- Mas eu preciso saber como é em alemao.
- Mas por que você nao fala em portugues? O máximo que vai acontecer é elas nao entenderem...
- E se elas estiverem no meio da rua e estiver vindo um carro?
- Tenta falar português com elas.
Mas depois de eu explicar pra ela o risco das filhas serem atropeladas por nao entenderem que "sai daí" é diferente de "pode ir", acho que ela captou a mensagem, entao esse problema está parcialmente (eu disse parciamente) resolvido.
4 - Se o objetivo é aprender sobre a cultura alema e voce estiver numa família que nao é 100% alema, voce pode nao aprender tanto assim sobre cultura. Claro que o impacto cultural vai ser menor, provavelmente a adaptacao vai ser mais fácil também. No meu caso, acho que a Erika é mais alema do que muitas alemas. Já falei das roupas, lembram?
5 - e acho que talvez seja o mais importante: você perde muita privacidade. Você nao vai poder ligar pra sua família pra falar mal da sua família (ficou confuso isso.. Mas voces entenderam, né?) - claro que eu nao faco isso - voce vai ter sempre que esperar ela sair de casa pra fazer isso. E, muito importante, você nao vai poder escrever qualquer coisa que voce quiser no seu blog, no seu orkut ou qualquer site público.


Como esse computador que eu uso e que fica no meu quarto :-) é o mesmo computador de trabalho dela e o endereco do blog está gravado nele, isso significa que ela pode descobrir meu blog a qualquer momento. Mas eu realmente nao escrevo nada aqui que ela nao possa ver e algumas coisas até quero que veja, porque eu acho que muitas vezes fica dificil de expressar exatamente o meu ponto de vista em uma conversa. Lendo isso ela poderia se colocar no meu lugar, entendem? Mas eu tambem nao vou divulgar o endereco pra ela. Vou deixar assim. Ela pode estar lendo, mas eu vou escrever exatamente a mesma coisa que eu escreveria se ela jamais lesse (tá, é claro que se ela fosse alema eu teria digamos... muito mais liberdade). Mas uma coisa que eu nao conseguiria é prejudicar meu estilo, por exemplo, meus exageros e os parênteses pensando no que ela pensaria se lesse isso. É simplesmente mais forte do que eu. Pode até nao ser a mais pura verdade, mas pode se tornar verdade se estiver bem escrito. Eu sei que vocês devem pensar que ela é uma carrasca e que minha família é horrível, mas nao é bem assim. A Erika é legal, minha família é legal e eu gosto muito deles todos, mas muitas vezes nao consigo escrever de outra forma, simplesmente tem que ser assim. É um pouco complexo, isso. Tem a ver com eu-lírico, com ficcao, com personagem, com citacoes de Fernando Pessoa e se eu comecasse a falar disso voces deixariam de ler meu blog e iriam assistir Big Brother. Se é que já nao estao fazendo isso. Mas o que eu queria dizer é que eu espero que voces tenham a consciencia de que nem sempre tudo o que escrevo aqui corresponde à verdade (na verdade, se eu recorrer às teorias que eu falei, poderia dizer que nada do que se escreve corresponde totalmente à verdade, mas aí vocês me achariam uma mentirosa e se rebelariam contra os escritores do mundo todo e acho que essa nao seria exatamente a revolucao literária que estamos precisando. Mas isso já tá ficando Letras demais). Na maioria das vezes eu penso que a Erika poderia ficar chateada se lesse tal coisa que eu escrevi, mas eu nao conseguiria mudar. A frase surge perfeita na minha mente. Mais um parênteses que se encaixa (e de preferencia com outro dentro dele) e pronto! A expressao perfeita e exata do que eu queria, que vai produzir tal efeito, se ligando a essa outra frase em seguida, com essa palavra entre aspas e essa expressao entre vírgulas. Muitas vezes tirar as aspas ou a vírgula já seria um crime. Agora imagine mudar uma palavra ou uma frase inteira por medo de tal pessoa ler e se magoar. É inconcebível! Eu me sentiria na época da ditadura fazendo isso. Se a Erika descobrir esse blog, e falar isso comigo, talvez eu mude também o meu jeito de escrever, o que eu nao quero de forma alguma e nem sei se consigo. Eu já disse, é mais forte do que eu. Por isso eu prefiro que ela nao comente nada comigo se descobrir - mas é claro que no blog pode comentar. Comente voce também! - Acho que se eu nao souber que ela sabe, voces vao saber muito mais, sabe? E acho que é mais emocionante assim, escrever sem saber se ela está lendo. E algumas vezes até escrever pra ela sem a certeza de que ela vai ler, sem saber o que vai achar. Mas ela pode me falar, no meu último dia aqui. Seria dramático: vestida de preto dos pés a cabeca, o rosto muito branco, Erika se aproxima de Carol e diz:


- Tem algo que você precisa saber antes de partir, Carol...


A música se intensifica, a câmera mostra o rosto de Carol, ansiosa e assustada, coracao acelerado, maos tremulas, os pensamentos se sucedendo com uma velocidade vertiginosa. Foco no rosto de Erika. Seu olhar é severo, sua voz é fria e cortante:


- Eu sei o que você fez no inverno passado.


A música chega ao auge. Os olhos de Carol estao lívidos, seu rosto está pálido. Erika está impassível. De repente um grito de horror corta o ar. A cena escurece. Silêncio...


[cenas dos próximos capítulos...]

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Resumo

Resolvi contar rapidamente (claro que eu nao consigo fazer isso em menos de 60 linhas. Entao me desculpem os especialistas e os apressados) o que aconteceu nessa semana depois das compras, porque eu realmente quero contar as novidades mais atuais, tipo o Carnaval, por exemplo. Eu cheguei aqui na sexta, no sabado fui fazer compras e no domingo ja estava programada uma viagem do meu Gast. (Ele trabalha pra IBM, e a maior parte do trabalho ele faz em casa, mas algumas vezes ele precisa viajar para os EUA, o que por coincidencia aconteceu dois dias depois de eu ter chegado) Como ele tambem ajuda um pouco em casa, tipo buscando algumas vezes as meninas na escola/jardim e tomando conta delas, isso significou que eu teria que ja entrar no ritmo de trabalho nessa semana. Pensei: Ah, tudo bem, brasileiro é bom nisso, se vira nos trinta, da um jeitinho e consegue. O que nao estava programado no calendario minuciosamente alemao da minha familia era que a Luisa, a menorzinha (mesmo nome da minha irma cacula) ficaria doente justo nessa semana. Parece que ela pegou uma virose, tipo um rotavirus alemão, então nessa semana foi parte do meu trabalho ficar com ela enquanto a mãe trabalhava, por exemplo. Depois de me estranhar um pouco e de nao querer ficar sozinha comigo, em cinco minutos ja virou minha amiga, comecou a me mostrar todos os brinquedos (e vocês nao tem ideia da quantidade de brinquedos que essas meninas têm. Se fosse catalogar tudo, daria uns tres volumes, eu acho (pra cada uma) alem de levar mais tempo fazendo o catalogo do que o que elas gastam brincando com eles). Acho que a gente montou todos os quebra-cabecas que estavam na sala (so os da sala, porque se fossemos montar todos os da casa, teriamos que chamar todos os vizinhos para ajudar e ainda assim levariamos mais de uma semana (claro que nao estou exagerando)). Ela ama quebra-cabecas (Puzzle! Puzzle!) e é bem inteligente, consegue fazer muita coisa sozinha, mesmo tendo so tres anos.


Em um instante, viramos amigas de infancia (da infancia dela, é claro), mas como memória de crianca é curta, uns tres dias depois, quando ela ja nao estava doente e nao precisava mais ficar comigo, ela ja voltou a ficar com vergonha de mim. As outras maiores tambem nao ficaram muito à vontade, mas eu acredito que seja assim mesmo, no comeco. Tambem nos nao passamos muito tempo juntas, porque na verdade a minha Gast contratou uma au-pair para ter mais tempo para as criancas. O tempo que passamos juntas é indo/voltando da escola, ou seja, eu sempre falando: anda depressa, espera, sai da rua, deixa a neve no chao, estamos atrasadas e coisas do tipo. Entao acho que elas nao devem ter uma imagem muito boa de mim. Como meu Gast ficou uma semana fora, na segunda semana eu tinha tido uns tres dias de contato com ele (o que significa que estávamos juntos em casa ao mesmo tempo, nao necessariamente conversando ou se vendo), entao acho natural que a gente muitas vezes só se cumprimentasse. Entao, apessoa com quem eu mais tinha contato nessa época era a Érika. Como eu sou tímida e ela é fria, em uma semana era impossível que fossemos as melhores amigas do mundo, embora eu achasse que era um relacionamento legal e que tinha até uma certa amizade. Afinal de contas, mesmo nos conhecendo há pouco tempo, foram meses de conversa por e-mail e telefone.


Enfim, todo esse depoimento sobre meu relacionamento com a família serve para explicar porque no comeco da segunda semana a Erika me chamou pra conversar e me disse que ela e o Stefan tinham conversado e estavam pensando se eu realmente deveria ir com eles pra Áustria esquiar, depois de ela ter afirmado que eu iria com eles, enquanto eu ainda estava no Brasil, depois de ter me dito que ela tinha sapatos de esqui que nao serviam mais nela e que eu poderia usar, depois de ter falado sobre os cursos de esqui que existem lá e que eu poderia fazer, depois de eu ter criado toda uma expectativa sobre a viagem, me preparado mentalmente pra isso e quase ter ligado pra casa avisando que na próxima semana eu nao ligaria porque ia viajar. Acho que o motivo principal pra eu nao ir era que se eu fosse eles teriam que viajar com dois carros, o que significaria ela dirigir sozinha por cerca de oito horas, inclusive em partes perigosas e com mais de 20 cm de neve, o que significaria ter que colocar correntes nas rodas dos carros, o que ela nunca tinha feito antes. Enfim, eu entendo esse motivo e acho que teria aceitado muito tranquilamente se ela tivesse apenas me dito que estava com medo de dirigir. Mas esse nao foi o único motivo. Ela disse também que achava que nós (leia-se eu e a familia) nao estávamos "suficientemente entrosados para  fazer uma viagem dessas". Basicamente o que ela queria dizer e que infelizmente disse é que tinha medo que eu estragasse a viagem deles - claro que nao com essas palavras - e pra piorar a situacao disse que esse e nao o carro era o motivo principal, ou seja: "se você nao fosse tao timida, se nós já tivéssemos um relacionamento de conto de fadas - nao da cinderela -, se voce ja fosse amiga das meninas e elas te contassem segredos e preferissem sair com a Carol do que sair com a mamãe, eu nao me importaria nem um pouco de viajar oito horas seguidas sem paradas debaixo de uma avalanche de neve só pra você ir com a gente. Mas como você nao preenche esses requisitos, é melhor você ficar aqui". Tudo bem se eu já tinha me imaginado fazendo bonecos de neve com as meninas, tudo bem se eu ja tinha contado pra todo mundo no Brasil que eu ia esquiar no Carnaval, tudo bem se eu estava contando os dias pra essa viagem, já imaginando o que levar e até cogitando a possibilidade de comprar roupas de esqui -ainda bem que nao comprei.  Só acho que eles deveriam ter pensado bastante antes de falar e dar certeza de que eu iria com eles.


Mas... como tudo (obrigatoriamente, mesmo que a gente ainda nao saiba) tem um lado positivo, pra me consolar a Erika me falou de um programa de atividades que existe na faculdade de esporte de Heidelberg. É assim: os estudantes da universidade podem fazer qualquer esporte que seja oferecido pela faculdade - numa gama muito ampla que inclui artes marciais, danca, teatro, entre outros - pagando simplesmente NADA. E como agora sao ferias na faculdade, tem um programa de ferias, com varios cursos sendo oferecidos. E como eu sou quase estudante lá, eu posso fazer quantos cursos eu quiser de graca! Enfim, no fim das contas, depois de fazer muitas aulas que depois vou contar detalhadamente, acabei achando melhor nao ter ido pra Áustria. Primeiro porque eu nao tenho roupa de esqui e embora ela tenha dito que me emprestaria os sapatos, nao mencionou nada sobre roupas e acho que ela na verdade tem uma resistência muito grande quanto a isso. Segundo porque a única coisa que se tem pra fazer lá é esquiar. Ou seja, se nao estiver esquiando, fica dentro de casa, entao acho que nao teria muita oportunidade de conhecer outras pessoas nem nada. Terceiro que segundo ela lá estava fazendo -20°C e cá pra nós, acho que os +6°C aqui são muito mais confortáveis... É claro que se ela tivesse me falado dos cursos da faculdade de esporte antes de eu vir pra cá, teria evitado a carga excessiva de expectativa no esqui, já que essa expectativa poderia ser dividida com as aulas de danca por exemplo. E evitaria também a minha mae ter que mandar meu sapato de danca do Brasil e eu ter que usar outras roupas e nao meu quimono pra fazer artes marciais. Mas tudo bem, pelo menos ela me contou dos cursos e isso definitivamente está salvando meu carnaval e dando uma grande injecao de ânimo na minha vida social aqui em Heidelberg. Porque como meu curso de alemão começa só em abril, antes desses cursos de esportes eu só tinha contato com minha familia praticamente. E como eu converso mais com a Erika e a gente fala em português eu quase nao falava alemão com ninguém, só com as criancas e com o Stefan, mas é muito pouco.


Eu comecei a escrever aqui um adendo sobre o fato de a Erika falar portugues, que eu nao tinha mencionado antes, mas ele acabou tomando vida própria e se tornou um post independente - ou uma página também, ainda nao resolvi. Enfim, agora sao exatamente 5:33 e eu realmente fiquei esse tempo todo escrevendo. Isso está comecando a ficar perigoso... Mas eu nao consigo me conter, é sério. Uma idéia gera outra idéia, que leva a um post, que vira outro post e por aí vai.. Já estou ficando com medo disso, mas acho que depois que as datas se normalizarem vai ficar mais tranquilo (será?)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Carol no paraiso dos consumistas com frio

Agora que tenho o aval do meu especialista, posso seguir em frente e continuar contando as novidades (nem tao novas assim) da terra da batata (eu ia fazer um adendo agora para explicar a razao desse nome, mas resolvi que como ia ficar grande demais, talvez meu especialista comecasse a me repreender. Entao, zelando pelo destino desse blog, prometo (e esse blog ja tem tantas promessas que ta parecendo discurso de politico) fazer um outro post sobre o tema depois (espero que contra os parenteses nao haja nada contra :-))).


Aqui na Alemanha e em outros paises da Europa também, acontecem liquidacoes em todo final de estacao nas lojas de roupas e calcados, ou seja, duas vezes por ano, no final das colecoes primavera/verao, outono/inverno. Quem esta no Brasil vai pensar: "ah, aí é só duas vezes por ano? Aqui tem liquidacao todo dia! Pode ser no meio, no comeco da estacao, qualquer hora tem liquidacao e nao é so de roupa nao! De brinquedo, de livro, até de remédio tem liquidacao!" Pois é meu caro leitor, sem querer destruir as suas ilusoes consumistas, mas ja destruindo, a maioria dessas liquidacoes no Brasil nao passam de estrategia de marketing, de um atrativo para os consumidores vorazes acharem que estao diante da maior pechincha de suas vidas e comprarem tudo o que têm direito, o que nao têm e o que vai ficar pendurado no cartao de credito da vizinha. É claro que eu espero que o meu leitor nao esteja nesse perfil. :-) Mas, voltando pra Alemanha, as liquidacoes daqui sao um tantinho diferentes dessas jogadas de marketing. Nas lojas de roupa do Brasil, eu acho que eles nao vendem todas as roupas que sobraram, mas deixam guardado pro proximo ano. Uma vez fui procurar artigos de inverno na c&a e na renner (bem antes de vir pra Alemanha) na época em que tinha acabado de entrar a colecao primavera/verao e nao achei absolutamente nada, sendo que uma semana antes eu tinha ido lá e visto cachecois e essas coisas todas. Por isso eu acho que eles guardam as roupas. Mas deixa eu voltar pra Alemanha de novo. Quando comecam as liquidacoes aqui, todas as lojas comecam mais ou menos ao mesmo tempo. Aqui nao tenho certeza se é assim, mas na Franca, no dia que comeca a liquidacao, as pessoas fazem fila na porta da loja, a cidade toda, o mundo todo vai as compras no dia que comeca. Tem ate uma competicao entre as lojas pra ver quem vai liquidar primeiro. Na Alemanha nao sei bem como é porque cheguei depois dessa primeira fase, mas acho que isso é mais na Franca mesmo. (nao, eu ainda nao fui pra Franca, isso é cultura das aulas de frances do renatô de melô (letras tambem é cultura)). Mas voltando pra Alemanha mais uma vez (nunca viajei tanto em tao pouco tempo...) as liquidacoes de inverno daqui comecam no meio de janeiro. Como eu cheguei aqui no dia 6 de fevereiro ja tinha mais ou menos umas tres semanas que comecaramas liquidacoes. Como meu querido professor de frances tinha me avisado de todos os horrores da batalha do dia das liquidacoes, fiquei com medo de chegar la e so encontrar farrapos de guerra. Entao, mal tinha chegado em casa e no dia seguinte resolvi ir correndo fazer compras. Eu já tinha pesquisado a respeito em casa, na internet (pra quem se interessar, da uma olhada no site www.cunda.de é o site da c&a da Alemanha (und é a conjuncao e, entao, se voce for mudando a conjuncao, pode acessar o site da c&a de varios paises, tipo canda, cya e até ceta (afe, cultura inutil!!) ). Entao, eu tinha visto em casa na internet que comprar roupas de frio aqui era muito mais barato. Um casaco bom de inverno na c&a custa em media uns 39 euros, (ao mesmo tempo que blusas de verao custam uns 15 euros, dependendo da loja e da blusa) entao eu trouxe bastante roupa de verao e fui preparada para comprar um casaco de inverno, talvez dois se estivesse em promocao.


Fui em varias lojas (aqui tem uma rua que se chama hauptstrasse - rua principal - que é só para pedestres e tem milhoes de lojinhas, faz parte do centro historico de Heidelberg (me lembrou curitiba...)), como h&m e nao achei nada. Inclusive, nao recomento essa loja, nunca acho nada nela e é tudo caro (acho que eles tambem guardam a roupa pro proximo ano...). Fui na c&a e vi uns casacos legaizinhos em promocao, de 39 por 29, mas resolvi andar mais. Ai por acaso achei uma loja bem menorzinha, que tinha um cartaz atrativo na frente de algumas roupas incluindo um casaco feinho por 5 euros. Aí resolvi entrar. A loja é a New Yorker. É bem internacional, inclusive na etiqueta das roupas tem o preco numas 20 moedas e paises diferentes. Aí eu vi umas cinco coisas-redondas-onde-os-cabides-ficam-pendurados (como chama isso mesmo?) com casacos por apenas 10, isso mesmo, 10 euros!! Nem acreditei, fiquei muito feliz!! E nao eram quaisquer casacos, eram casacos realmente bons. Foram feitas umas quatro remarcacoes de preco, dava pra ver, naquela etiqueta internacional que eu falei, varias etiquetas laranja berrante coladas uma em cima da outra (depois, em casa, tive o trabalho de descolar as etiquetas e decobri o preco original deles: 59 euros!!) O dificil foi na loja, segurar tantos casacos experimentando um e outro na cabine, voltando com eles pro... pra coisa. [breve explicacao sobre provadores alemaes: aqui nao tem aquela chatice do brasil, de voce ter que pegar uma plaquinha com o numero de pecas, entrar na cabine e depois devolver a plaquinha. Nao fica ninguem vigiando, voce so entra e experimenta. (ah, mas isso é porque na Alemanha é muito mais seguro, ninguem vai sair roubando todas as roupas (talvez, mas em cada casaco tinha duas daquelas coisas-que-disparam-o-alarme-se-voce-tentar-sair-da-loja (acho que to esquecendo o portugues... mas nem sei se essa coisa tem nome!) e dentro da cabine tem um alarme que dispara se voce tentar tirar a coisa (nao a dos cabides, a dos alarmes))] Entao, com toda a dificuldade de carregar tres casacos de cinco quilos cada, alem do que eu ja estava usando e com o medo do tal alarme da cabine disparar acidentalmente enquanto eu experimentava as roupas e os segurancas entrarem na cabine me encontrando em trajes, digamos, inadequados, o que acabou acontecendo é que eu comprei dois casacos que depois percebi que estavam grandes demais. As alemas gostam de usar os casacos mais apertados e a numeracao aqui é diferente, enquanto meu numero no brasil é M, aqui seria P (S) ou PP (XS)!. Como nao tinha experiencia nenhuma com isso, acabei comprando um pouco maiores do que precisavam ser. Dessa vez eu comprei tres. Depois, pra compensar a numeracao errada, comprei outro em outra loja por 10 euros tambem. Comprei outras coisas tambem, tipo bota, cachecol, luvas, etc, mas o mais legal foram os casacos.


Dica do dia: Nao saia afobado para comprar tudo quando comecam as liquidacoes. Espere as rerereremarcacoes e seja um consumista feliz :-)







sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Primeiras impressoes

A chegada no aeroporto foi tranquila, sem atrasos. (apesar dos atrasos em Sao Paulo, o piloto conseguiu compensar isso durante o voo. Lembro de ter visto naquele monitor individual, que eu falei, a velocidade de 1104 km/h, se nao me engano... Ele literalmente voou! :D) Tive alguma dificuldade para achar o lugar onde se pega a bagagem. Acho que todo mundo foi direto pra lá, mas como eu fiquei no aviao tirando fotos, catando brindes da primeira classe (achei uma caixinha com duas trufas deliciosas :-P), tirando mais fotos (e esperando todo mundo sair também. É realmente muito chato tentar sair com o pessoal pegando a bagagem de mao, nao tem espaco!), entao acho que perdi o fluxo do povo. Sempre achei que o lugar onde se pega a bagagem ficava perto de onde voce desembarca, mas eu tive que andar o aeroporto inteiro pra encontrar - deu até tempo de perder minha luva :-( Vale lembrar que o aeroporto de Frankfurt é o maior do mundo, segundo me disseram, entao talvez nos outros seja diferente.


Mas antes de pegar a bagagem, que eu também nao sabia, voce passa pela alfandega (sera que isso significa que eu posso levar qualquer coisa na bagagem despachada, que nao vai precisar ser declarada?) e pela policia, que manda voce abrir a bagagem de mao (de novo???) e te faz umas perguntas. Mas parecia procedimento normal deles. Ou eles me acharam com cara de traficante, sei lá. Pelo menos nessa hora eu nao estava com a tesoura assassina na bagagem, ou mandariam me prender! Mas acho que tavam mais era achando engracado eu toda perdida, eles falando em ingles comigo e eu respondendo em alemao e nao entendendo o alemao deles.


Enfim, passando pela policia, chega no lugar onde pega a bagagem. Tinha numeros de 1 a 7 com aquelas esteiras onde ficam girando as malas. Olhei em todos e... Cadê minha bagagem? Nao tava lá! Olhei de novo, mas realmente nao tava la. Foi aí que eu vi um monitor com vários números e voos, indicando onde estavam as malsa de cada voo. A minha era a 21! E lá vou eu andar mais um tanto. Ô aeroporto grande! (Quero dizer, nao que eu tenha muita base de comparacao, mas eu realmente andei muito). Consegui achar o lugar, peguei minhas malas (além da minha só tinha mais uma ou duas lá) e fui saindo de lá. Logo entao, na primeira porta que encontrei, já vi a Erika me esperando. Para quem nao sabe, a Erika é a minha "hospedeira" (mas aí fica parecendo que ela é um mosquito da dengue, ou coisa assim... Como é mesmo a palavra? Ah... Anfitria (com til)). Em alemao a gente usa a palavra Gast nesse caso. É estranho porque essa mesma palavra significa hóspede. Fica parecendo que eu é que estou hospedando ela. Como teoricamente eu sou parte da família, a Erika seria chamada, no programa de au-pair de Gastmutter. Mutter é mae, entao é como se ela fosse a "mae que hospeda" ou "mae anfitria" ou "a mae do hospede" ou a "hospede-mae" ou a "mae hospedeira", enfim, o que acharem melhor. O Stefan, o marido dela, é o Gastvater, ou seja, o pai-hospede, mosquito da dengue, etc. E todo mundo junto, a mae, o pai e as criancas (ou Kinder (lembra do Kinder ovo? Pois é.)) formam a Gastfamilie. Enfim, toda essa explicacao do ciclo de reproducao do mosquito da dengue serve para dizer que voces nao devem deixar agua parada... ops, digo, serve para explicar que se eu falar minha Gast eu estou falando da Erika e se eu falar meu Gast, estou falando do Stefan. Porque é mais facil falar gast do que falar a-pessoa-que-está-me-recebendo-aqui-e-que-é-a-mae-das-criancas, por exemplo.Enfim, a Erika estava lá no aeroporto (sozinha) me recebeu com tres beijinhos e disse que tinha que ir apanhar as criancas na escola, que a gente tinha que ir um pouco rapido, porque a escola fecha tantas horas e o Stefan nao podia ir pega-las porque estava trabalhando (ele trabalha em casa). Eu preferia que tivesse ido todo mundo me receber, mas como a gente nao pode escolher o jeito que as coisas acontecem nem o cardapio do aviao, tudo bem. Fazer o que e vamos vamos em frente.


Acho que fui injusta com a Erika. Ela nao chegou assim direto falando que a gente tinha que sair correndo. É claro que ela perguntou se eu fiz boa viagem e tudo o mais. Mas me decepcionou um pouco nao estarem todos la. Geralmente vai todo mundo pra receber a au-pair, pelo menos foi isso que eu tinha ouvido falar. Mas parece que ela nao da muita importancia pra essas coisas. Mas eu ainda vou fazer um outro post so pra falar da minha familia. (e espero que os parentes que estejam lendo isso nao fiquem enciumados quando eu falar "minha familia" é claro que eu nao troquei voces por eles mas é que é muito mais facil escrever assim do que dizer gastfamilie ou a familia-que-esta-me-hospedando-e-blablabla)


Entao, de Frankfurt até Heidelberg é mais ou menos uma hora de carro. Tinha muita neblina no dia. Mas eu nem passei frio. Como eu tinha falado, os momentos em que eu ficaria exposta ao frio depois de descer do aviao seria só até chegar ao carro e do carro até em casa. Mas o meu casaco era suficiente pra isso, de qualquer forma. No dia tava fazendo uns seis graus mais ou menos. Fomos direto pegar as meninas, porque senao o jardim/escola iam fechar. Elas ficaram beeem timidas comigo. Mas tudo bem, imagino que seja assim mesmo no comeco.
Depois fomos pra casa e ela foi me mostrando os comodos, essas coisas. Deixei minha mala no quarto e peguei os presentes que tinha trazido pras meninas e pra Erika também. Dificil explicar o que era... Só quem conhece os brinquedos da Tia Tiza é que ia saber. Mas foi uma mandala pra maior, um domino chines pra do meio e pra pequenininha massinha de modelar e giz de cera. Elas amaram os presentes... A Erika disse que eu consegui adivinhar o gosto de cada uma. A Luisa, a menor, ficava repetindo: Knete! Knete! (massinha). Pra Erika e pro Stefan dei um porta retrato verde de mosaico que eu fiz. Queria ter feito um especialmente pra eles, esse ja tava pronto há mais tempo, mas nao deu. E acho que ela nem gostou também, entao foi melhor eu nao ter feito. Se eu tivesse feito um especialmente pra eles e ele tambem tivesse ficado uns tres dias encostado la na escada eu teria ficado muito mais chateada. Mas pra ela usar o porta-retrado nao poderia ter sido um como o que eu dei. A casa aqui é toda branca. É linda, enorme, cheia de coisas automaticas, que funcionam com o interruptor, como a persiana das janelas, mas é branca. A roupa de cama é branca. As paredes sao brancas. As roupas sao brancas. E pretas. E cinzas. Só as meninas tem coisas coloridas. Eles parecem achar que é coisa de crianca e devem acham muito estranho o jeito que eu me visto. Porque eu odeio neutros! Meu guarda-roupa é totalmente colorido. Quase nao tenho roupas brancas! Pretas entao... E posso usar um casaco bege, mas o cachecol é rosa-choque. As luvas sao vermelhas e o gorro é verde-turquesa. (claro que nao precisa ser tudo ao mesmo tempo, ne? Ou ficaria parecendo um carro alegorico). Mas eles (e os alemaes adultos em gera, mas eles acho que ainda mais), usam casaco preto e cachecol preto e luva pretas e calca preta e sapato preto. As variacoes de cor que eles se permitem sao so cinza, marrom, um azul escuro e olhe lá! Por isso eles jamais colocariam um porta-retrato verde berrante junto com os porta-retratos frios de metal. A casa tem que conservar sua sobriedade.


(longo parentese com explicacao sobre as cores: Uma vez eu assisti a uma palestra que falava sobre as cores e os efeitos que elas têm sobre as pessoas. E que as criancas geralmente preferem cores vivas, como o vermelho, nao por uma questao de gosto, mas por comodidade visual. Com a idade, esses gostos mudam e chega uma fase em que sua visao so consegue "gostar" de cores neutras e suaves, rejeitando qualquer cor viva e sentindo-se incomodada por ela. Como as cores mais vivas sao associadas aos jovens, quando vemos uma pessoa mais velha se vestindo com cores vivas, podemos pensar - inconscientemente - que ela é mais jovem do que realmente é. Ou, o que também é muito frequente, principalmente no caso de pessoas bem mais velhas, podemos achar que a cor nao condiz com a "condicao" da pessoa, julgando que ela está querendo se passar por mais jovem. É claro que isso também esta relacionado às estacoes do ano. No inverno as cores tendem a ser mais frias, mais escuras e no verao sao mais alegres. Mas no caso da minha familia, acho que nem no verao o guarda-roupa se alegra. Claro que cada um usa o que quer... So que o que eu me pergunto é se eles realmente ja chegaram nessa fase em que a visao so se acomoda com cores neutras. Parece que aqui isso é algo mais institucionalizado, mais rigido, sei la. So acho que eles nao sao tao velhos assim. E poderiam alegrar um pouquinho o vestuario e o ambiente. Acho um pouco deprimente usar essas cores de velorio todo dia...)


Acho que estou falando mais da família do que de qualquer outra coisa aqui. Mas é que acho que essas primeiras impressoes estam muito ligadas à família, ao jeito como fui recebida, etc. E nao tem como falar disso sem explicar alguma coisa sobre eles. Mas acho que por hoje está bom. Depois eu acrescento mais detalhes.

Cruzando o Atlântico

Talvez alguns me achem boba por falar isso, mas caramba! É muito bom andar de aviao!! É muito legal ver a cidade ficando pequenininha, ver os formatos das nuvens lá em cima, assistir a um pôr do sol lá do alto. Como São Paulo fica mais ou menos a oeste de BH, o pôr do sol durou muito mais tempo do que o normal, muito legal. O conforto também, achei fantástico. Fiquei impressionada!! A conexão até Sao Paulo até que nao foi tao boa assim, em termos de conforto.  Pensei: Realmente, um ônibus é muito mais confortável. A comida também não foi la grande coisa: um pao quente com um presunto no meio. Pensei: Porque que eu fui esquecer dessa comida especial, meu deus, já pensando em como seria até Frankfurt. Mas no vôo pra Frankfurt... Apesar dos atrasos e idas e vindas do aeroporto, nao tenho nada a reclamar, de verdade. Nao sei se é por falta de experiência, por nao ter nenhuma base de comparacao, mas achei até que tinham alterado a classe! Porque aquilo nao podia ser classe economica. A poltrona era ótima, confortável e atrás de cada uma, ou seja, na frente de cada passageiro, tinha um monitor individual, com diversas opcoes de filmes, seriados de tv, jogos, musica para escolher durante a viagem. E naqueles bolsinhos de trás da poltrona tinha um fone de ouvido que era brinde pra voce ouvir os filmes, etc. Tinha uma opcao no monitor tambem com um mapa, com a localizacao do aviao, velocidade, etc e até com imagens de duas cameras externas do aviao, uma na frente e a outra embaixo. Pena que a de baixo estava desligada, ou daria pra ver melhor as cidades... Além disso, quando chegamos passaram aeromocas sorridentes dando um pacotinho para cada passageiro. Um roxo para as mulheres e verde para os homens. Era uma necessaire com escova de dentes, pasta, um pente dobravel, tampoes de ouvido e um par de meias :-) Achei demais. Foi aí que eu perguntei pro casal simpatico do lado (eu tomei cuidado com eles, Natty! hahahaah) se aquela classe era econômica mesmo e eles na maior naturalidade: é, é assim mesmo... Passado algum tempo chega a hora do jantar. Massa ou carne? Massa. E a aeromoca já te serve a bandejinha com tudo, salada, paozinho, sobremesa e tchamtchamtchamtcham! Uma massa sem carne!! E muito boa por sinal. Até tirei foto, tava muito bonito o jantar. E gostoso também. :-P O café da manha também foi ótimo e o servico de bordo e tudo o mais.  Nao sei se é a companhia aérea, mas realmente nao entendi como que as pessoas podem reclamar tanto da comida e do servico, etc. Eu fui de Tam (tam-tam-tam-tam) e me falaram que era melhor que algumas outras, mas eu realmente nao tenho base de comparação. Abaixo segue uma foto do vôo:







quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

No portao de embarque

Marinheira de primeira viagem indo sozinha pra Alemanha... Nunca tinha saído do Brasil, nunca tinha viajado de aviao. Acho que era a única da família. Pra garantir que ia dar tudo certo, a família tinha que me acompanhar, é claro. Tá bom, pra despedir também. :-) Mas acho que os conselhos e preparativos nao foram suficientes... Pra juntar à lista de coisas que esqueci, nao fiz o pedido antecipado de "comida especial", como eles chamam. Achei que era no check-in que fazia isso, que eles deviam ter um estoque de comida vegetariana junto com as outras opcoes do cardapio, afinal, o número de vegetarianos está crescendo a cada dia (Até a Juliana Paes virou vegetariana, por causa da novela, depois de aprender a falar Namastê! Mas isso é outra história (pra outro blog talvez (outro blog??? A Carol nao queria fazer nem esse, acabou fazendo um em cada domínio e agora quer criar um sobre a Juliana Paes na novela que esqueci o nome?? (hum... esquece!)))) Bem, apesar da influencia indiana no Brasil, da fantástica habilidade linguistica da Juliana Paes  e do aquecimento global, a "comida especial" tem que ser pedida com três dias de antecedência. Fazer o quê e direto pra sala de embarque. Lá eu descobri (na verdade eu já até sabia, mas foi estupidez minha) que todos os líquidos (e pastas, também. Até pasta de dentes. Vê se pode) têm que ser colocados num saco plastico transparente. Bem eu nao tinha nenhum saco, nem transparente, nem de outra cor e parece que todos os sacos do aeroporto tinham desaparecido e que eu deveria ter recebido um do funcionário do check-in. O mesmo que me disse que nao tinha problema viajar com o liquido da lente de contato e nao falou nada sobre sacos. E na sala de embarque a mulher com voz de robo me dizendo que eu teria que despachar o liquido da lente de contato porque ele tinha 120 ml e o máximo é 100. (mas porque raios entao no site da Tam fala que é 120?????) E olha que tava no finzinho, nao devia ter nem 30 ml ali. Ai eu quase chorei, deu vontade de voltar, de chamar minha mae, mas ja tinha todo mundo ido embora. Ai eu olhei bem pra mulher robo e falei: "Ô moca! Eu nunca andei de aviao antes, eu num sei o que fazer, me ajuda!! "Acho que ela ficou com pena da menina da roca viajando sozinha e do nada, tcham tcham tcham tcham! Eis que brota um saco plastico na sala de embarque! E eu pude ir feliz com  meus 120ml de liquido da lente, toda a maquiagem que até hoje eu nao usei e todos os vidrinhos de perfume que nao sei porque foram parar na bagagem de mao (e que também nao foram usados).


Feliz até chegar em Sao Paulo, na outra °sala de embarque" (na verdade nao sei como se chama isso. Eu ia falar alfandega, mas acho que alfandega é só quando você entra no país. Mas é aquele lugar onde eles fazem raio-x da bagagem de mao). Nao sei pra que fazer isso duas vezes. Mas la fui eu. Dessa vez com os liquidos no saquinho, passei a bagagem pelo raio-x e adivinhem! Nao é que encontram mais coisas ilegais? Nao, eu nao estava transportando drogas. Mas tinha, junto com meus artesanatos e presentes para a família, uma tesourinha, dessas sem ponta, de crianca usar mesmo. E eles acharam que era um item perigoso demais e que talvez eu estivesse planejando assassinar toda a tripulacao e os passageiros com a tesoura que nem papel às vezes corta. Tinha um recipiente quadrado transparente enorme lá, cheio de tesouras, ferramentas e afins. Se vendesse pro ferro velho ia dar uma grana boa. A funcionária dessa vez tinha a voz muito mais de robô do que a outra e disse: ela-tem-mais-de-seis-centimetros-e-deve-ser-descartada. (só nunca vi uma tesoura infantil, nem de plastico, com menos de seis centimetros) Achei que nao ia adiantar dessa vez eu falar com ela que foi o meu namorado que me deu a tesoura (e foi mesmo) e que ela é muito importante pra mim e resolvi seguir em frente.


Alguma dificuldade no aeroporto de Sao Paulo pra achar o portao de embarque. Depois de descer, subir escadas, andar bastante acho o portao. Achei estranho que nao tinha ninguem la, ninguem esperando, nenhum aviao e so faltava uma meia hora pro embarque. Pergunto pra uma moca (de uma clinica de massagem, foi a unica que achei por la) e ela diz: Nao, é assim mesmo, fica sentadinha lá e espera. Bom eu esperei. E esperei. E continuava vazio. Faltava 20 minutos e nada. Aí eu ouvi uma moca perto de mim falando do voo tal pra Frankfurt e descobri que o portao de embarque tinha sido alterado e que eles nao se deram ao trabalho de avisar. Como minha experiencia com isso na época era igual com bonecos de neve :-) quase que fiquei pra trás. Mas deu tudo certo: o voo estava atrasado uma hora mais ou menos, deu pra achar o portao de embarque, fazer um lanche (cada pao de queijo R$3,00!) e passear pra lá e pra cá no aeroporto. Foi no meio de um desses passeios que um moco me encontra no corredor,  e pergunta se o meu voo é pra frankfurt. É, mas como está atrasado, resolvi dar umas voltas. Pois é, é que mudou o horário de novo e já estao chamando pro embarque. (alguem me explica porque nao usam o alto-falante???) Enfim, tudo certo e lá vamos nós. Acho que se alguém pensava que  eu nao devia ir, que era o meu destino ficar no Brasil ou sei lá o que (teve gente que rezou pra eu nao ir ô.ô) acho que pode mudar de idéia agora... A macumba quase pegou, mas enfim, eu consegui! =D

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Antes da ida, a despedida

Fiz questao de, antes da festa de despedida, me encontrar com todos que pude, porque senao a festa de despedida seria antes de tudo um reencontro :-). Tinha muitos que eu nao via há muito tempo, outros há mais de um ano, e alguns que o número de encontros nas minhas últimas semanas no Brasil foi maior do que em um ano inteiro!! Nao pude despedir de todos, alguns por falta de tempo (minha), outros por falta de vontade (deles!!!). Mas todos deixaram saudades, até quem nao foi por preguica ô.ô e espero que todos estejam na minha festa de boas-vindas. E dessa vez nao tem desculpa, porque ta marcada com muita antecedencia! Quero dizer, nao sei exatamente o dia, nem o lugar e nem remarquei a passagem ainda, mas que tá marcada tá! Reservem um espaco na agenda de voces entre os dias 01 e 10 de fevereiro de 2010!!  Abaixo, uma foto... Desculpem eu nao colocar todas, as outras nao ficaram tao boas (esses fotógrafos... rsrs), mas eu posso enviar por e-mail, quem quiser. Por falar nisso, tem gente me devendo fotos das pré-despedidas!!!!






segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pra começo de conversa

Começo esse blog um pouco atrasada. Hoje na verdade é o dia 19 de fevereiro e faz 13 dias que eu já cheguei aqui na Alemanha e, mesmo que pareca pouco tempo, já tenho muita coisa pra contar. Mas vou tentar fazer isso pela ordem dos acontecimentos. Alguns já devem saber, mas eu tenho uma experiência com blogs tao grande quanto com bonecos de neve. Ou seja, quase nula ;-), e acho que com bonecos de neve eu sou ainda melhor, mas isso vocês vao julgar depois (apesar do que, depois de tentar criar um blog em uns cinco domínios diferentes, já tenho mais experiência com isso). Depois de consultar um especialista em blogs, me rebelar contra ele, criar 50 blogs sem consultá-lo e fazer as pazes :-), acabei me decidindo pelo wordpress. Eu usaria o blogspot, mas já tinham usurpado o nome do meu blog lá!! Podem conferir! Tem uma outra carolindeutschland no mundo (ou in Deutschland) que criou o blog em um dia em que ela já tinha contado todas as batatas do supermercado e nao encontrou nada melhor pra fazer além de adivinhar qual o nome eu usaria para o meu blog, criar um com o mesmo nome e simplesmente abandoná-lo, sem nunca ter postado nada na vida. Pois é. E por causa dessazinha eu tive que testar todos os domínios disponíveis e criar vários blogs até achar um que me agradasse… Ou seja: fazer exatamente a mesma coisa que ela fez, mas em vários lugares. Bom, acho que ela teria um bom trabalho se resolvesse mudar de domínio agora :D Mas eu prometo que como uma boa menina eu vou deletar cada um dos blogs fantasmas pras outras caróis que vierem pra Alemanha poderem usar o mesmo nome (ou  eu posso fazer um monopólio desse nome também, ainda nao decidi). Também, considerando a frequencia com que eu mexo no orkut, por exemplo (msn é melhor nem comentar…) é mais provável que ele seja abandonado às tracas daqui a uma semana. Mas eu prometo que vou tentar. E estou tentando, de verdade! Afinal, tem 3 dias que estou tentando publicar esse primeiro post num blog decente. E acho que valeu o esforco. Espero que eu ainda tenha muita coisa pra contar. E muita gente pra ouvir também!


  
* descobri que tem jeito de alterar as datas dos posts e fiz isso pra situar melhor os acontecimentos... Na verdade esses quatro primeiros posts foram publicados praticamente no mesmo dia.